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O que vem adiante na vida profissional do CIO

O que vem adiante na vida profissional do CIO

Alcançar o posto máximo da área de tecnologia pode ser apenas um degrau no desenvolvimento da carreira do CIO. Os avanços vão depender, em boa parte, da sua capacidade de embrenhar-se nos meandros do negócio e contribuir estrategicamente com seu resultado, sem deixar a peteca cair enquanto resolve as questões do dia a dia. Além disso, a forma como a TI é vista dentro da empresa é mais uma variável que ditará qual o próximo passo evolutivo do profissional, pontuam especialistas.

A especialista em headhunting da CT Partners, Ana Claudia Reis, vê CIOs assumindo áreas de operações ou integrando times de fornecedores. Ela acredita, porém, que a aproximação com as áreas de negócio é o passo mais benéfico no processo. “A área de TI está perdendo poder nas organizações”, conta. Entre os motivos dessa percepção está a estruturação de conceitos como big data e analytics ocorrendo fora da TI, centralizadas em marketing ou business intelligence.

A pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, realizada pela IT Mídia com CIOs das mil maiores empresas do Brasil, mostra que pelo menos um em cada cinco líderes de tecnologia percebe que os usuários acabam adotando soluções por não encontrarem isso na TI. Para que o executivo encabece grandes projetos de transformação dos negócios, é necessário mais preparo em inovação, liderança e gestão. “Participar mais do dia a dia da organização, estar mais perto do negócio e se aproximar dos pares, para sentir a dor da área de negócio e ajudar a encontrar a solução, é o ideal”, diz Ana Claudia. “Vale até tomar um cafezinho mais assíduo com um par com quem só se conversa quando há reclamação de algo que não funciona.”

O diretor da Asap Recruiters, Eric Toyoda, adiciona: é preciso participar do planejamento estratégico da empresa. Em sua visão, no processo de desenvolvimento profissional, é comum o CIO assumir áreas de operação ou supply chain e, com menos ocorrências, posições na área financeira, de RH ou comercial. “Ele pode se preparar demonstrando que conhece não só a área de TI, mas os processos da organização, como são estruturados e quais são as melhorias para ganhar escala, receita e desempenho”, sugere.

As perspectivas também podem variar segundo o perfil do profissional, da empresa e de seu segmento de mercado. Para o diretor da Hays, Rodrigo Parisi, organizações em que a área de TI compõe o core business permitem ao CIO vislumbrar posições de CEO ou como membro do grupo de gestão. As multinacionais, por sua vez, oferecem oportunidades relacionadas a posições regionais ou globais.
Mas se a posição de CIO é a mais alta na empresa e a área de TI não é core, a movimentação é lateral – desde que o rumo sejam áreas mais estratégicas. Facilitar a transformação da TI de operacional para estratégica é uma tendência em curso e já aconteceu, previamente, em setores como RH. “Fazer com que a área não seja vista só como custo muda a exposição dentro da organização junto aos pares e superiores”, acredita. Esse movimento já foi iniciado no mercado. “Hoje há CIOs que fazem parte do board da companhia, algo que era impensável no passado.”

Bimodal
Em recente evento do Gartner, o vice-presidente de pesquisa, Cassio Dreyfuss, apontou que ocorre uma evasão no controle dos investimentos em TI rumo às unidades de negócios digitais mais próximas do consumidor. Segundo ele, 38% dos gastos do departamento hoje ocorrem fora da área – e o índice deve superar 50% em 2017. “As unidades de negócios estão atuando como startups de tecnologia. Hoje todo orçamento inclui TI, frequentemente fora do controle do CIO, mas não fora do seu alcance”, disse.

Dreyfuss acrescentou que praticamente metade da força de vendas das empresas de TI está vendendo diretamente para as unidades de negócios e que o novo cenário exige um CIO que ele chamou de bimodal, capaz de oferecer soluções para explorar novas oportunidades de negócios ao mesmo tempo em que mantém a excelência das operações. “Os líderes de TI precisam ser chamados a participar das decisões relacionadas aos novos fluxos financeiros do mundo digital, para endereçar questões como eficácia econômica, integração de arquitetura e otimização de segurança”, afirmou.

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