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Como fazer mais com menos

Como fazer mais com menos

Em tempos de orçamento com crescimento menos significativo, redução de custos com aumento de desempenho e fazer mais com menos, ampliar a capacidade de entrega de projetos nunca esteve tão em voga na pauta dos CIOs. A produtividade tornou-se o Santo Graal da TI, mas muitos CIOs ainda se ressentem da dificuldade de torná-la tangível em meio às pressões do dia a dia.
Para o consultor Anderson Figueiredo, um dos primeiros passos é colocar as práticas, de fato, em prática. “Investe-se muito em certificação formal, ITIL, Cobit, PMI, mas bem menos na implementação”, alega. O resultado é a falta de indicadores consistentes que ajudem a equacionar melhor tempo e recursos e apoiem a definição de prioridades e urgências.
Em segundo lugar, é preciso fazer um bom inventário de ativos e recursos, incluindo sistemas, infraestrutura e telecom. Isso permite a revisão de contratos e a renegociação ou seleção estruturada, o que pode render condições de conseguir mais por menos, acrescenta Claudio Soutto, diretor da Deloitte. Maximizar o uso dos ativos já implantados é uma estratégia que vem na sequência: pesquisas da Deloitte mostram um nível médio de apenas 60% de utilização da capacidade instalada de tecnologia. A adoção de contratos telefônicos, VoIP e mídias digitais e sociais para comunicação também ajudam no quesito economia.
Ainda no sentido de usar melhor os recursos já existentes, uma boa medida é implantar um modelo de gestão de TI orientado pelo custeio das atividades e dos serviços prestados aos seus diferentes clientes internos. Assim é possível comparar o que é “feito em casa” com as soluções que podem ser oferecidas pelo mercado. Muito além de simplesmente pensar em terceirização, essa comparação serve para que os gestores atentem para padrões de eficiência, qualidade e até da validade de continuar determinados serviços. Assim, criam-se referências que servem de balizadores para a operação atual.
É preciso avaliar, ainda, outsourcing e cloud computing. Em relação à infraestrutura, cloud pública surge no horizonte da otimização e de melhores resultados financeiros. A questão é que o uso de aplicações em nuvem só funciona se a empresa for aderente a pacotes padronizados. “Só dá para ganhar na escala quando vira padrão”, diz Figueiredo.
Terceirização
Outsourcing costuma ser visto como uma forma de reduzir custos trabalhistas, mas exige cautela do CIO, alerta Figueiredo. “A terceirização que vale a pena é a de grandes volumes, como atendimento, programação. A de nichos, só se for de curto prazo”, observa. Além disso, lembra, o processo costuma ser custoso no começo, já que exige esforço dobrado do CIO na definição do serviço em detalhes suficientes para uma administração afinada por meio de SLAs.
“Sem isso, há custos adicionais. O novo CIO será um orquestrador de nuvens, contratos e níveis de serviço”, acrescenta Soutto, que recomenda ainda tirar de casa tudo o que for de menor valor agregado, para otimizar a inteligência, e a adoção de metodologias como Scrum, para entregas mais rápidas. Também é sempre útil, aponta Anderson Figueiredo, buscar apoio no networking, onde surgem casos concretos nos quais o CIO pode se apoiar.
Ao pensar na terceirização como uma forma de redução de custos, é importante considerar no cálculo de ROI (retorno do investimento) dessa ação todos os custos com a transição dos serviços e posteriormente dos processos de governança, controle e comunicação entre as partes. Dependendo do serviço a ser terceirizado, esses são processos críticos, que podem trazer riscos à própria operação.
Por fim, é importante considerar também o chamado “custo da troca”, que basicamente significa o montante gasto na troca de fornecedor do serviço ou o retorno à situação anterior, o que também é chamado de “primeirização”. Considerar o “custo da troca” significa avaliar, mesmo que em termos de estimativa, um plano B para qualquer eventualidade.

*Essa é a primeira reportagem da série “TI Escalável”. Não perca a segunda parte, que será publicada na quinta-feira.

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