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“Diversidade de gênero é estratégia para inovação”; veja outros relatos sobre TI


O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, foi idealizado no século XIX. A igualdade na participação da mulher na sociedade avançou, mas o assunto continua relevante e um dos polos da discussão é a TI brasileira. “Diversidade [de gênero] deve ser vista também como estratégia para inovação”, pondera Karen Figueiredo, responsável pelo Delete seu Preconceito.


(Nas fotos, da esquerda para a direita: Participantes dos Minas que Programam, Camila Achutti, Karen Figueiredo e Adriana Cássia | Divulgação).


Mas ainda há muito o que evoluir. A presença feminina nos cursos de graduação ligados a computação caiu nas últimas duas décadas: foi de 34,89%, em 1991, para 15,53% em 2013. Isso apesar de o número de matriculas ter crescido 586% no período, segundo levantamento feito pelo portal Programaria. Para agravar a situação, 79% das estudantes abandonam esses cursos ainda no primeiro ano, segundo dado mais recente da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), citado pelo blog.


Essa tendência se reflete no mercado de trabalho: apenas 20% dos profissionais de TI brasileiros são mulheres, ainda conforme a Pnad. E isso dificulta a renovação de lideranças: “há muita demanda nas empresas por mulheres em cargos executivos, mas não temos candidatas”, apontou Miriam Vasco, presidente da unidade paulista da Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu), em entrevista concedida recentemente ao portal HPE. Leia: Mulheres são minoria entre gestores de TI


A mudança do cenário parte do estímulo à carreira em TI às novas gerações de profissionais, e movimentos de startups e de jovens mulheres no setor indicam que esse processo já começou. Selecionamos algumas  iniciativas em prol da maior representação feminina na tecnologia e questionamos suas organizadoras sobre suas inspirações. Veja abaixo:


Minas que Programam

Mencionada na lista Mulheres Inspiradoras 2015 do site Think Olga, a iniciativa, encabeçada por três representantes, Bárbara Paes, Fernanda Balbino e Ariane Cor, incentiva o ensino de programação para o público feminino, com cursos, tutorias e oficinas.


  • Leituras que as inspiram: Histórias de garotas e mulheres que mudaram suas vidas e a sociedade. Essa leitura passa por compartilhamentos em rede social, biografias, pesquisa acadêmica, ficção. A história não escreveu sobre as mulheres, ao contrário, ainda hoje mostra que elas foram silenciadas e privadas dos conhecimentos, direitos e riquezas dos homens. Escrever e contar a história das mulheres é lembrar que elas são capazes de transformar o mundo.


  • Mulheres que as inspiram: “Ada Lovelace, Grace Hopper, a ativista negra Annie Easley e a sufragista brasileira Bertha Lutz; também as novas representantes em ciência e tecnologia, como a engenheira Erica Baker. Aquelas que não são cientistas ou desenvolvedoras, mas que se apoderam da tecnologia para mudar  o mundo, como a Malala, também nos inspiram muito.”


  • Homens que as inspiram: “Admiramos muito os ativistas do software livre e dados abertos, os programadores que se voluntariam para colaborar com o projeto, os pesquisadores e jornalistas que se interessam pela questão de gênero em ciência e tecnologia, professores que ensinam meninos e meninas de forma igualitária, reconhecendo e incentivando suas potencialidades.”


Camila Achutti

Sócia-fundadora da Ponte21, consultoria de inovação e tecnologia. Influenciadora digital na FIAP e fundadora do blog Mulheres na Computação.


  • Mulheres que a inspira: “Adoro as história de mulheres como Ada Lovelace, Hedy Lammar, Stephanie Steve, entre outras. Acredito que a luta delas fez do mundo o que ele é hoje.”


  • Homens que a inspira: “Elon Musk! Realmente acho ele uma máquina de inovações, apesar considerá-lo um pouco fundamentalista em algumas colocações.”


  • Qual você acha que é o potencial da tecnologia no mundo?: “Ela é capaz de resolver os problemas do planeta, mas sem diversidade na força da trabalho há questões que não estão sendo tratadas, como a vulnerabilidade de mulheres da periferia, ou o assédio sexual na Índia…”


Karen Figueiredo

Organiza o Delete seu Preconceito, projeto fotográfico que denuncia a hostilidade  sofrida por mulheres estudantes e profissionais de Computação e Tecnologia.


  • Leituras que a inspira: “Gosto especialmente da ficção científica pelo visionarismo dos autores acerca das relações sobre tecnologias, ambiente e sociedade. Os autores que mais me marcaram são Isaac Asimov, Douglas Adams, Neil Gaiman, William Gibson e Ursula K. Le Guin. Fugindo da ficção, recomendo o livro “Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”, de Sheryl Sandberg, COO do Facebook.”


  • Mulheres e homens que a inspira: “As pessoas que realmente me inspiram não são necessariamente populares, com destaque na mídia ou em uma grande posição de carreira, mas as que conheço no dia a dia ou que sequer conheço, mas cujos relatos chegam até mim por conhecidos ou por  rede social. São aquelas capazes de transformar a sua realidade com ações simples e mantendo-se fiéis às suas origens e valores.”


  • Qual você acha que é o potencial da tecnologia no mundo?: “A tecnologia tem o potencial de transformar o planeta por completo, como já o vem fazendo. Mas precisamos lembrar que por traz de toda tecnologia desenvolvida existem as pessoas que a ?criaram, e estas devem estar conscientes para produzirem coisas com poder inovador real, que sejam factualmente inclusivas e tenham responsabilidade social. Para isso acontecer, é necessário também que todos os tipos de pessoas estejam envolvidos no processo de produção tecnológica – a diversidade tem que ser vista também como estratégia para a inovação.”


Adriana Cássia

Autora do blog Mulheres, Tecnologia e Oportunidades, que concentra histórias, notícias e experiências com o objetivo de fortalecer a presença feminina na TI.


  • Leituras que inspiram: “O livro “Faça Acontecer – Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar”, da Sheryl Sandberg, que aborda inúmeras situações que são do nosso cotidiano e também sugere formas para contorná-las. Além disso, é sobre liderança, então é uma leitura para homens e mulheres que desejam saber mais sobre o assunto e como é o mundo dos negócios nas grandes corporações. Gosto bastante do Daniel Goleman, que publicou várias obras sobre inteligência emocional. Já estamos em uma época em que trabalhar com tecnologia é muito mais do que conhecimento técnico: é também saber lidar com pessoas e comunicação.”


  • Qual você acha que é o potencial da tecnologia no mundo?: “A tecnologia tem o potencial transformador. Além de proporcionar ferramentas e resolver problemas para as empresas, devemos pensar no nosso papel na sociedade e como usá-la  para tocar as pessoas e fazer com que o mundo seja melhor. O interessante da tecnologia não está só em lançar um produto para armazenar mais dados ou um design inovador, mas como nós vamos mudar a vida das pessoas.”

Saiba mais:

Mulheres são minoria entre gestores de TI

Comunicação #4: Oito frases e comportamentos que o CIO deve evitar

Como encontrar, recrutar e entrevistar o profissional de TI

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