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Medicine doctor working with modern computer interface

Os desafios da transformação digital em Saúde

A desconexão entre profissionais de TI e corpo clínico é um deles; área deve se aprofundar no trabalho das instituições, dando atenção especial a médicos e enfermeiros

Por Frank Cutitta*

Não é nenhuma surpresa que a área de saúde tenha os mesmos desafios de aquisição e implementação de tecnologias de outras indústrias. Porém, há uma diferença crucial: nesse segmento os resultados dos projetos podem levar, literalmente, a questões de vida ou morte. Por isso, é essencial que a TI se aprofunde no que está por trás do trabalho dessas instituições, dando atenção especial aos profissionais que ficam mais próximos dos pacientes, como médicos e enfermeiros.

Enquanto o compromisso com os pacientes costuma ser focado, principalmente, em medidas que garantam bem-estar, as mudanças na legislação e nas políticas hospitalares têm pressionado os profissionais de TI para que demonstrem os valores tangíveis e intangíveis de seus serviços e produtos a cada estágio do processo de atendimento.

Nem preciso dizer que a demonstração da documentação e os registros precisos dos custos do atendimento são importantes para que as seguradoras transfiram os fundos para o reembolso de despesas dos pacientes de maneira eficiente. Parte das estratégias para reembolsos é impulsionada pela relação entre o CIO (Chief Information Officer)  e CFO (Chief Financial Officer) dessas instituições. Além deles, outros profissionais participam do processo: desde especialistas clínicos, até responsáveis pelas análises de reembolsos e especialistas em tecnologias de ciclos de faturamento, que asseguram cobranças de forma mais rápida. Mas, como em outras indústrias, muitas dessas interações se concentram apenas em políticas e procedimentos que permeiam o contato dos profissionais de saúde com o paciente, da mesma forma que acontece entre empregados e clientes em uma loja de varejo.

Claro, que os riscos da interação com o paciente e o valor associado aos cuidados, como em uma UTI, estão muito acima daqueles recebidos por um cliente ao fazer um upgrade em uma loja de celulares. No entanto, um dos pilares que gera mais desconfiança e compromete o trabalho, é a desconexão entre os profissionais de TI e os trabalham no cenário clínico.

A queixa dos clínicos com a área de TI começa com o processo de compra e segue ao longo das etapas de implantação e cuidados com a tecnologia legada. Mas, apesar da ilusão de que os profissionais de saúde têm resistência e dificuldade com a alta tecnologia, a verdade é que há muita variação no nível de conforto que os clínicos têm em relação a tecnologia.

O poder de enfermeiros
Médicos e enfermeiros estão entre os profissionais mais desafiadores para a TI. Porém, de acordo com meus estudos, tem crescido o número de enfermeiros que possuem habilidades clínicas e tecnológicas de TI. É essencial que a TI identifique esses enfermeiros, sejam eles com título formal ou que operem como “ministros de tecnologia sem portfólio”. Contar com esses profissionais para repassar o conhecimento sobre as ferramentas implementadas ao restante da equipe, fornecendo feedback  à TI, é um método poderoso.

Por outro lado, pode ocorrer a separação entre a TI e a área clínica no decorrer da adoção de tecnologias. Qualquer um que tenha sobrevivido a uma migração do outlook para o gmail sabe a angústia que permeia em todos os níveis, com o help desk sendo o centro do processo disruptivo. Aqueles que passaram por implementações ou migrações em empresas de serviços de saúde para o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), por exemplo, podem atestar que o processo é mais sofrido entre os clínicos, do que entre os pacientes que procuram assistência.

De acordo com minhas pesquisas, enquanto os médicos querem uma tecnologia que produza mais valor e mais qualidade ao atendimento, ainda não se deram conta de que os ganhos da disrupção da próxima geração de tecnologias no relacionamento face a face com os pacientes, pode ser ainda maior. Por conta disso, a visão sobre ferramentas inovadoras pode ser bastante diferente entre o que os clínicos pensam e esperam, e aquilo que os CTOs (que apenas tem na tecnologia uma ferramenta para melhorar a sua imagem profissional) pensam e esperam.  Não é diferente da famosa citação de William Ford Gibson, escritor américo-canadense que cunhou o termo “ciberespaço: “o futuro está aqui, é apenas distribuído de forma desigual”.

Este é o universo das instituições de saúde, no qual o paciente tornara-se “cliente pagante” e sua satisfação é expressa por meio de avaliações de Key Performance Indicator, os famosos Indicadores-Chave de Desempenho. É essencial que a TI olhe atentamente para as linhas de frente da prestação de cuidados para assegurar a inexistência de “pontos cegos” nas estratégias de implementação e suporte.

*Frank Cutitta é membro do Conselho de Administração global da HIMSS, maior associação comercial do mundo relacionada à TI de saúde.

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Imagem: Depositphotos

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