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Assistentes digitais podem ameaçar a segurança da informação?

Ferramentas como Siri e Alexa, que auxiliam nas tarefas diárias dos usuários, correm o risco de serem alvos de hackers no futuro; entenda o cenário

Por Chris Nerney*

Não vai demorar muito para que muitas, ou mesmo a maioria, de nossas atividades diárias – dentro e fora do trabalho – sejam realizadas com a ajuda de assistentes digitais pessoais (Personal Digital Assistants, ou PDAs), como Alexa, Cortana, Google ou Siri. Com a verificação de compromissos diários ou, até mesmo, envio de mensagens pessoais e profissionais, os PDAs prometem ser o tipo de ajudante eficiente e que podemos confiar.

Mas, para que isso seja possível estão, secretamente, gravando ou transcrevendo tudo o que dizemos. Basta ver o exemplo do Alexa, assistente pessoal ativado por voz da Amazon Echo. De acordo com um relatório do The Intercept, publicação online de notícias, “A Amazon está mudando a política de longo alcance para que os desenvolvedores de Alexa tenham acesso às transcrições brutas do que as pessoas dizem ao usar suas aplicações”, afirmou três especialista no assunto”.

Em resposta, a Amazon disse à CBS News, mídia de Nova York, que não “compartilha informações sobre a identificação do cliente aos aplicativos, sem que haja consentimento”. Mas, Nicholas Thompson, editor-chefe da revista americana Wired, expressou suas preocupações com CBS This Morning:

“Estes dispositivos são extremamente úteis, eficazes e bons. Porém, têm um relacionamento totalmente diferente conosco do que outros aplicativos, já que são capazes de dizer algumas coisas que escutam e que nós não queremos que sejam replicadas”, disse Thompson.

“Agora, os dispositivos Amazon Echo só gravam quando ouvem o comando Alexa. No futuro, provavelmente vão gravar o tempo todo, já que estaremos acostumamos com sua interação. A Amazon está sendo cautelosa, pois não quer que as pessoas tenham receio da tecnologia”.

Fornecer aos desenvolvedores transcrições brutas de pessoas dizendo: “Alexa, como está o meu horário hoje?” pode parecer inofensivo, mas se Thompson estiver certo e esses dispositivos começarem a gravar 24 horas por dia durante os sete dias da semana, estamos falando de problemas de segurança e privacidade potenciais e sem precedentes.

Isso porque, os assistentes digitais ativados por voz e que armazenam gravações podem ser um alvo tentador para os hackers, que também podem invadir um dispositivo para escuta em tempo real. Quanto as empresas estariam dispostas a pagar, por exemplo, para que as sessões de estratégia corporativa de suas concorrente sejam transmitidas ao seu escritório? Seria melhor do que o Pandora Premium, aplicativo americano de músicas que consegue identificar gostos!

Em 2013, quando os profissionais começaram a aparecer nos escritórios com o Google Glass, houve um “semi-pânico” por conta da privacidade, pois imaginou-se que as pessoas estavam sendo gravadas de forma ilegal. Mas, neste caso, era possível, pelo menos, ver os “artifícios de vidro” próximos. Já seu assistente digital poderá fazer o trabalho sujo sem ser detectado ou gerar suspeitas.

* Chris Nerney é escritor de tecnologia nas áreas de mobilidade, big data, data center e cloud computing.

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Imagem: depositphotos

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