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Blockchain #1: aplicação vai além do mercado financeiro

Tecnologia pode ajudar diversas áreas no registro seguro de dados; apostar em experimentações internamente auxilia a descobrir o melhor uso para cada empresa

No mercado financeiro, o uso do Blockchain, tecnologia de distribuição eletrônica que utiliza algoritmos de software para gravar e confirmar transações com confiabilidade e anonimato, já é visto de maneira mais clara e faz parte dos planos de investimentos de algumas instituições para os próximos anos. Porém, sua aplicabilidade está além dos bancos, como explica Cezar Taurion, especialista em TI e CEO da Litteris Consulting. “O interesse [no uso por outros setores] existe, mas pelo desconhecimento e desinformação sobre o assunto, ainda há receio por parte dos executivos de TI de irem mais fundo na tecnologia e na descoberta de seus potenciais usos”, afirma.

De acordo com ele, a tecnologia pode ajudar em diversas áreas, pois não se trata apenas do registro seguro de dados financeiros, mas, sim, de qualquer informação relevante, como um contrato, uma propriedade de imóvel, um registro acadêmico ou um serviço intelectual. “Além de aumentar a segurança dos dados, evita a redundância, já que estão em um mesmo lugar, e as fraudes, pois uma vez registrados, não há a possibilidade de apagá-los”, diz Taurion. O uso vai depender de cada empresa. Para isso, ele recomenda aos CIOs uma pergunta-chave: “quais problemas o blockchain pode resolver?”.

A resposta vai depender da visão da companhia e de sua liderança, do setor de negócios no qual atua, e da atitude em relação à riscos. Independentemente disso, Taurion destaca dois caminhos para uma estratégia de implementação de blockchain: apostar em experimentações internamente, com um “blockchain lab”, mais focado em mudanças incrementais, ou criar e acelerar startups, que possuem mais ênfase na disrupção do próprio negócio. “O processo de criar e acelerar startups permite gerar negócios a partir do zero, sem as limitações dos pensamentos já arraigados nos processos e operações internas”, diz.

Fora do país, pode-se ver algumas possibilidades da tecnologia. Veja a seguir:

  • A RWE, empresa de energia alemã, está testando a tecnologia para a recarga de veículos elétricos em uma plataforma em que os consumidores podem fazer transações com energia verde sem depender das fornecedoras convencionais de eletricidade. Isso pode gerar economia, já que as máquinas podem realizar transações entre elas. Além disso, o registro de todos os dados será armazenado e formatado automaticamente em uma lista segura disponível online para qualquer pessoa que tenha acesso.
  • O governo da Ucrânia usa como forma de reduzir ou eliminar corrupção nas transações governamentais. A ideia é acabar com manipulações nas bases de dados e permitir a participação do setor privado na manutenção dessas informações. Isso pode ajudar a não gastar milhões na compra de servidores e acelerar o processo de obtenção de documentos. A perspectiva é que, em cinco anos, todos os documentos estejam registrados.

Para entender o potencial da ferramenta, é preciso compreender seus conceitos, filosofia e princípios. Isso porque, blockchain fornece uma nova maneira de estabelecer confiança entre transações no mundo digital. A tecnologia tem potencial para simplificar e acelerar os processos de negócios, reduzindo ou eliminando intermediários como autoridades centralizadas. “É um novo pensar, que rompe com os paradigmas atuais que precisavam da criação e negócios como tabeliães, bancos e entidades certificadoras”, diz Tarion. Segundo ele, uma coisa é certa: a companhia que começar a pensar no assunto e a realizar testes, certamente, terá vantagem competitiva.

Essa é primeira matéria do Especial sobre Blockchain. Acompanhe as próximas.


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Imagem: Depositphotos

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