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Businessman selecting a futuristic padlock with a data center on the background

Blockchain #2: 4 passos para criar um blockchain lab

Definir o posicionamento estratégico da empresa, recrutar desenvolvedores e profissionais que entendam do negócio e contar com o apoio do CIO e do CEO são os primeiros passos

Blockchain é 80% processos de negócios e 20% tecnologia. A estimativa é de Cezar Taurion, especialista em TI e CEO da Litteris Consulting. “Não se trata de um produto que você simplesmente liga e começa a funcionar. Seu potencial está no que pode oferecer para que produtos e serviços sejam construídos”, afirma. Segundo ele, criar uma estratégia baseada na tecnologia é, também, uma tarefa para os desenvolvedores, mas sem o envolvimentos dos CEOs e CIOs, o benefício é inferior ao que poderia ser.

Uma iniciativa de blockchain começa com a liderança entendendo o efeito disruptivo para o negócio. “O primeiro passo é  disseminar o conhecimento sobre a potencialidade da tecnologia. A partir daí, identificar as oportunidades de aplicação e o benefício à companhia”, explica Taurion. Como respostas, pode-se ter aplicações de impacto imediato na redução de custos, aumento da eficiência de processos; maior velocidade nas transações, eliminando tarefas; e redução de fraudes.

“O ecossistema blockchain ainda não está consolidado, o que inibe algumas empresas a pensarem no assunto, mas esperar pela maturidade da tecnologia pode significar perder oportunidades e, até mesmo, colocar o atual modelo em risco”, diz o especialista. Taurion recomenda começar com a criação de um “blockchain lab”, com o objetivo de evangelizar o conceito, garimpar oportunidades de experimentação, tanto na organização, quanto em exemplos de startups, e criar provas de conceito. “A partir daí, a empresa deve transformar as experimentações em casos reais, junto às unidades de negócio que serão as responsáveis pela operação. A seguir, ele mostra como isso deve ser feito:

1. Defina uma estratégia
O primeiro passo para criação do lab é a definição do posicionamento estratégico da organização em relação à tecnologia. A empresa vai se posicionar como inovadora, provocando disrupções ela mesma; ou mais conservadora, buscando experimentações para casos de melhorias dos processos atuais?

2. Busque profissionais
Definida a estratégia, o lab pode começar a operar. Mas, para isso, é preciso recrutar alguns talentos, como profissionais que entendam do negócio, gente de fora (de preferência de outros setores de indústria) e desenvolvedores capazes de escrever aplicações distribuídas em blockchain. “O desenvolvimento em blockchain ainda exige muita força bruta, como nos primórdios da web, quando tínhamos que escrever à mão linhas de código HTML”, reforça.

3. Escolha as ferramentas
É preciso, também, determinar que conjunto de tecnologias será o mais adequado. “Além disso, é essencial desafiar os seus provedores de serviço a entrarem no barco, pois as aplicações blockchain não podem viver desconectadas dos sistemas legados”, diz. Nessa etapa, alguns aspectos devem ser considerados, como disponibilidade de linguagens específicas para aplicações distribuídas, potencial de escalabilidade, segurança, desempenho, interoperabilidade com outros ambientes etc.

4. Comunique os resultados
É essencial que os executivos envolvidos no projeto comuniquem a toda a empresa os resultados bem sucedidos. Dessa forma, a organização começa a entender o potencial e os riscos de ignorar a tecnologia. Isso ajuda a criar uma cultura de blockchain, aspecto essencial para a tecnologia deslanchar na companhia.

“Cabe ao CIO começar esse movimento na empresa; ele não pode esperar que alguém diga que isso é importante. Ninguém inova por ordem, é preciso buscar a inovação todos os dias”, completa Taurion.

Essa é a segunda matéria do Especial sobre blockchain. Leia a primeira: Blockchain #1: aplicação vai além do mercado financeiro.

Esta matéria foi publicada originalmente em 9 de dezembro de 2016.

Saiba mais:
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Imagem: Depositphotos

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