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Inteligência artificial é decisiva para a competitividade, diz Cezar Taurion

Tecnologia é capaz de interagir de forma intuitiva e natural; empresas precisam identificar o que as máquinas podem fazer melhor do que as pessoas para redesenhar os processos e não perder mercado

“Para as empresas, o uso de inteligência artificial não é uma opção futurista, mas uma realidade que pode ser decisiva em termos de competitividade”, diz o consultor Cezar Taurion, sócio e head de transformação digital da Kick Ventures. Segundo ele, trata-se de uma das tecnologias mais poderosas atualmente, pois a medida que evolui pode gerar mudanças significativas nos modelos de negócios, nos empregos e na forma como algumas atividades são desempenhadas.

“Em um futuro não muito distante, a maioria dos bens de consumo poderá ser encomendada de forma online e entregue por veículos autônomos ou drones. Os locais onde as mercadorias estão armazenadas poderão ser quase inteiramente automatizados”, explica Taurion. Ele cita o modelo usado hoje pela Amazon, “Amazon now has 45,000 robots in its warehouses”, que em breve deve ser copiado pelo mercado de qualquer país. “Estamos em um mundo globalizado e a estrutura de custos e eficiência de um país conta muito na competição global”, afirma.

Mas como, de fato, as companhias podem se beneficiar da tecnologia? O que a inteligência artificial (IA) pode fazer? De acordo com Taurion, o Brasil está em torno de cinco anos atrasado na adoção da tecnologia em comparação aos Estados Unidos, mas já existem possibilidades de uso da ferramenta, e as companhias devem pensar no assunto desde já. Nas instituições bancárias, a IA pode auxiliar na extração e estudo de imagens em ATMs (caixa eletrônicos), detectando atitudes suspeitas; no setor de seguros, analisar fotos de veículos acidentados, identificando as partes do carro que foram afetadas e o grau de dano; e, na área militar, pode ser embutida em drones armados e chegar a tomar decisões sobre efetuar (ou não) ataques.

Para isso, as empresas precisam entender as implicações das máquinas, ou seja, como podem aprender, conduzir interações humanas e se engajar em funções de alto nível, em escala e velocidade incomparáveis com os processos atuais. “Elas precisam identificar o que as máquinas podem fazer melhor do que os seres humanos e vice-versa, desenvolver papéis e responsabilidades complementares para cada um e redesenhar os processos de acordo com a intensidade de aplicação da IA na organização”, explica Taurion.

Por exemplo, o banco americano JP Morgan iniciou um projeto na área chamado COIN (Contract Intelligence) que realiza automaticamente análises de acordos de empréstimos, atividade que consome, em média, 360 mil horas de trabalho por ano de advogados e agentes de crédito. O software, além de revisar os documentos em segundos, é menos propenso a erros.

Isso quer dizer que o uso da inteligência artificial pode passar por todas as áreas – do varejo às negociações financeiras e à saúde. Sistemas de IA já conseguem diagnosticar cânceres específicos com mais precisão do que os radiologistas.  Isso se deve a dois pontos principais:

1. Como sabem falar, ler textos e absorver e reter conhecimento enciclopédico, as máquinas podem interagir de forma intuitiva e natural, em uma variedade de tópicos e com profundidade considerável.

2. Como podem identificar objetos e reconhecer padrões ópticos, como rostos em fotografias, as máquinas podem deixar o mundo virtual e se juntar ao mundo real.

“As empresas precisam encontrar maneiras adaptativas e ágeis de trabalhar e definir estratégias comuns em sinergia com as startups e os pioneiros na área. Os executivos, começando pelos CEOs, devem identificar onde a IA pode criar vantagem mais significativa e sustentável, repensando a maneira de reciclar pessoas e de trabalhar”, completa Taurion. O grande desafio, para ele, é que a velocidade é mais rápida do que a capacidade de mudar as funções ou reciclá-las. “Será preciso uma grande mudança, que deve começar com a revisão de todo o modelo de educação”.

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