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Inteligência artificial é nova preocupação em segurança

Inteligência artificial é nova preocupação em segurança

A preocupação dos líderes com a segurança  do negócio cresceu, e a inteligência artificial (IA) está ganhando atenção inédita entre os gestores, segundo a pesquisa 2015 de CEOs e Executivos Seniores, do Gartner.

De acordo com o estudo, 77% dos líderes acreditam que os fatores de risco para o negócio cresceram no último ano, e 65% dizem que a gestão de risco de suas companhias não está evoluindo na velocidade exigida pelo mundo digital. Os dados acompanham uma tendência do levantamento: nos últimos cinco anos, a taxa de CEOs que cita “segurança” como prioridade aumentou, atingido 10% em 2015.

Inteligência artificial
O estudo aponta como novidade a preocupação dos líderes com IA, seus riscos e consequências para o negócio. Metade dos entrevistados acredita que o paradigma vai limitar o mercado de empregos em diversos setores ao promover a automatização de funções. Segundo a pesquisa, a IA pode favorecer negócios em qualquer setor por meio da redução de custos, mas ainda são poucas as empresas com estrutura e know-how no assunto.

Para Gabriel Catropa, CTO Cybersecurity da HP Brasil, o assunto ainda é uma tendência distante da realidade. “A inteligência artificial de fato significa automatização total do processo. Ou seja, máquinas com 100% de autonomia no comando, na tomada de decisão, operação e auto otimização. Não existe um algoritimo capaz de produzir isso hoje”, explica.

O executivo cita o posicionamento de Stephen Hawking como um fator que gerou alarme sobre o assunto – em 2014, o físico disse que o desenvolvimento da IA completa pode contribuir para o fim da humanidade. Muitas pessoas também têm como referência no assunto a ficção científica e filmes como Exterminador do Futuro, que retratam o tema de forma fantasiosa, lembra Catropa.

Desafios
A união de IA com Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) e a proteção da privacidade também trarão desafios. “A IA está completamente ligada à Internet das Coisas. Os dispositivos conectados vão gerar informação precisa sobre o comportamento humano ao longo de muito tempo”, diz. Dados coletados pelo celular, geladeira, TV etc. podem criar um roteiro da pessoa, o que gera questionamentos de privacidade: quem vai usá-lo, em que contexto, com que permissão? “Ao longo de muito tempo dispondo dessas informações, é muito fácil criar outra máquina que se faz passar por aquela pessoa”, diz o executivo.

Os problemas éticos em IA estão sendo estudados e podem afetar de forma concreta os negócios. “Atualmente, as máquinas não têm algoritmos suficientes para lidar inteiramente com o comportamento humano, mas isso pode implicar diretamente em problemas de segurança”, diz Catropa. Ele cita um exemplo de engenharia social por uso de IA: “Imagine o que seria capaz de fazer uma tecnologia que aprendeu seus hábitos durante anos e adicione uma boa dose de autonomia nessa tecnologia. Se atualmente seres humanos manipulam outras pessoas com o uso de engenharia social, o mesmo irá acontecer com as máquinas quando sua autonomia atingir a plenitude”, diz.

Sobre o futuro da IA, Catropa faz um alerta: “Não existe legislação para definir o quanto de inteligência humana uma máquina pode carregar. É uma espécie de monstro sendo criado de forma desenfreada. A questão que fica é: como regulamentar isso?”.

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