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Quando guarda-chuvas fazem mais do que te manter seco

Quando guarda-chuvas fazem mais do que te manter seco

Toda a vez que chove na hora do almoço, me lembro de um dos meus melhores amigos, João Gustavo Santos (descanse em paz), que sempre perguntava: “alguém pode me emprestar um guarda-chuva”? Ele era incapaz de manter um por muito tempo. A razão? Ele o deixava secando em algum lugar, e lá o esquecia. Hoje, João não precisaria mais passar por isso: ele teria um modelo inteligente e conectado.
O guarda-chuva viria com um sensor Beacon (Bluetooth LE), responsável por emitir um alerta toda vez que João – ou seu smartphone – estivesse a mais de dez metros de distância. Esses sensores seriam precisos, pequenos, teriam uma autonomia de bateria com variação de dois a três anos e não precisariam de conexão com a internet. Seria uma solução barata, que adiciona valor ao produto, embora não esteja relacionada ao seu objetivo final: proteger o usuário da chuva.
Quanto o seu cliente pagaria por essa melhoria? Quão relevante seria? Você estaria à frente de seus competidores ou eles já oferecem guarda-chuvas conectados que não somente avisam quando são esquecidos, mas que também alertam, pela manhã, quando há previsão de chuva?
Esse exemplo mostra que a preparação para transformar os seus produtos não é simples. Ela deve passar pelos desafios que a Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT) enfrenta atualmente, como definição de padrões e plataformas, sensores, comunicação e hardware – similar ao que ocorreu com a Internet no início dos anos de 1990. Antes da internet, a única forma de se comunicar era a partir da construção de redes proprietárias. Bancos e outras grandes companhias possuíam seus sistemas próprios de TI, que precisavam ser acessados ou integrados remotamente, apesar de não estarem conectados fisicamente. A internet tornou-se, então, uma infraestrutura comum de comunicação. Levou algum tempo para que os bancos a adotassem, até fosse considerada segura o suficiente.
Devemos esperar a mesma coisa de IoT, então? Há alternativas caso você queira apressar as coisas, mas cuidado para não elevar o custo de seu produto. No caso de um guarda-chuva, é importante lembrar que ele ainda será comprado essencialmente para proteger contra a chuva, não porque ele embarca tecnologia de ponta. Tenha cuidado para evitar evoluções que possam transformar seus produtos em uma vitrine de novas tecnologias, que acabarão por elevar o preço e custar a você perda de mercado.
Essa é uma situação real na qual a tecnologia pode transformar produtos milenares e adicionar valor por meio da conectividade. Enquanto esperamos a IoT deslanchar, você pode procurar por sensores baratos e disponíveis, que sejam conectados por meio de redes já existentes, utilizando Bluetooth LE. Opte por produtos que já precisem de energia (ao contrário do guarda-chuva, que não vêm com uma fonte acoplada, por exemplo). Busque rápidos ganhos que insiram sua companhia no rol das “conectadas”. Pense no que seus clientes têm a dizer sobre seu produto de acordo com as expectativas que eles já nutrem. Aposte no que já funciona, a não ser que esteja ciente dos riscos e realmente queira encará-los.
Em resumo, se seus clientes ainda estão perdendo seus guarda-chuvas, seja inteligente. Seja conectado. 

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